Categoria: prevenção

Doping por vaidade

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Para quem não sabe a Eritropoietina ou EPO, também conhecida por hemopoetina é produzida por fibroblastos intersticiais nos rins e em células perisinusoidais no fígado, predominando a produção renal durante a idade adulta.

A EPO é responsável por controlar a produção de glóbulos vermelhos, garantindo o transporte de oxigênio para as células do corpo.

A baixa da pressão parcial em oxigênio (como em ambientes de alta altitude), a diminuição do número de glóbulos vermelhos causada por uma hemorragia ou por uma destruição excessiva, e/ou o aumento da necessidade de oxigênio pelos tecidos levam a um aumento da secreção de EPO.

O contrário como, a aumento da pressão parcial de oxigênio, dos glóbulos vermelhos e/ou o excesso de oxigênio nos tecidos diminui a sua secreção.

No campo esportivo, principalmente entre atletas de endurance, até hoje utiliza-se o método de treinamento em altitude ou simulando altitude com o objetivo de aumentar a secreção de EPO, permitindo uma maior produção de glóbulos vermelhos e com isso, melhor transporte de oxigênio para as células musculares.

Tudo se tratando de adaptações do organismo ao ambiente em si e sem auxílio algum de recurso exógeno.

Algo muito parecido acontece quando atletas se utilizam de um método manipulação do sangue para obter o mesmo resultado, administrando ou reintroduzindo sangue ou qualquer dos subprodutos dos glóbulos vermelhos nos seu sistema circulatório.

Esse método ficou conhecido como Doping Sanguíneo e consta na lista de substância e métodos proibidos pela WADA – Agência Mundial Anti-Doping, cujo primeiro relato científico ocorreu em 1947.

A finalidade seria aumentar a potência aeróbia máxima e o rendimento submáximo durante o exercício por conta da maior capacidade de transporte de oxigênio em virtude do aumento artificial de glóbulos vermelhos, pois existe uma relação direta entre a quantidade total de hemoglobina e o consumo máximo de oxigênio.

Para cada 275 ml de concentrado de hemácias é possível aumentar a capacidade de transporte de oxigênio em 100 ml, gerando um potencial extra de meio litro de oxigênio por minuto. O que poderia melhorar a performance entre 15% a 30% em provas de endurance.

Mas tal método coloca em risco a vida, pois aumenta a viscosidade sanguínea, podendo reduzir o trabalho cardíaco, a velocidade do fluxo de sangue e a concentração de oxigênio periférico, com uma menor capacidade aeróbia, além de aumentar o risco de trombose venosa profunda e tromboembolismo pulmonar.

De modo exógeno e com intuito de obter resultados parecidos, a EPO passou a ser utilizada por atletas, substituindo o doping sanguíneo, por evitar o risco de infecção e o inconveniente do armazenamento do sangue.

Mas como o método sanguíneo já citado, os riscos são similares e também faz parte da lista de substâncias e métodos proibidos pela WADA.

Infelizmente, a popularização da prática de esportes de endurance associada a necessidade cada vez maior de exposição nas redes sociais leva vários atletas amadores a utilizar a EPO como atalho para superar seus pares.

Recentemente, a jornalista Carol Barcellos da TV Globo realizou uma excelente matéria (assista o video) sobre o uso dessa substância por atletas amadores.

Isso vai ao encontro do imediatismo pelo resultado sem a dedicação e o esforço necessário para conquistar o aprimoramento da performance desejado.

Mas isso não tem nada de novo, com o “bum” do fitness e do culto ao corpo lá pela década de 80, o uso de substâncias e métodos proibidos no mundo esportivo passou a ser muito comum entre praticantes de atividades físicas, principalmente nos salões de musculação.

A meta era: ficar grande, forte e magro com o mínimo de esforço no menor tempo possível para ostentar um físico privilegiado sem pensar nas consequências e riscos.

Por trás da maioria dos casos, uma grande frustração e necessidade de afirmação da sua identidade extremamente custosa para saúde, gerando grandes transtornos sociais e emocionais, além de trazer graves danos físicos e risco de morte.

Antes de entrar nessa, faça uma pergunta a si mesmo:

“Será que o que estou prestes a fazer irá trazer mais benefícios a minha saúde e ao meu estilo de vida ou vale à pena investir nessa colocando minha saúde em risco?”

Ficou na dúvida e quer minha opinião? A resposta deve ser NÃO.

Busque sempre a orientação de um professor de educação física especializado, visite seu médico regularmente, mantenha seu check-up em dia e cuide da sua alimentação com um nutricionista.

Bons treinos e divirta-se!

Referências bibliográficas:

  1. _______. Manipulation of Blood and Blood Components, Substances & Methods Prohibited At All Times – WADA. Disponível em <https://www.wada-ama.org/en/content/what-is-prohibited/prohibited-at-all-times/manipulation-of-blood-and-blood-components&gt;. Acessado em: 30/06/2018.
  2. _______. Peptide Hormones, Growth Factors, Related Substances and Mimetics, Substances & Methods Prohibited At All Times – WADA. Disponível em <https://www.wada-ama.org/en/content/what-is-prohibited/prohibited-at-all-times/peptide-hormones-growth-factors-related-substances-and-mimetics&gt;. Acessado em: 30/06/2018.
  3. Pardos, C. L. Gallego, V. P. Rio Mayor, M. J. & Martin, A. V. Doping Sanguíneo e Eritropoetina. Revista Brasileira de Medicina do Esporte – Vol. 5, Nº 1. Jan/Fev, 1999.

 

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Velocidade X Cadência

Para que sua performance na corrida evolua devemos levar em conta dois fatores primários: a melhora da sua condição física e o aprimoramento da sua técnica e da sua postura enquanto corre.

Deixando de lado os métodos e estratégias para melhora da condição física, focaremos na técnica e na postura de corrida.

Muito se fala que existe um padrão postural e da técnica ideal para correr, mas não é bem assim.

A coisa pode variar um pouco, dependendo do quão longa será a sua corrida, em que terreno ela irá acontecer e se você estará carregando algum sobre-peso.

 

Recentemente, o treinador do CTS Adam St. Pierre adicionou uma pitada a mais sobre o assunto, discutindo sobre o binômio velocidade x cadência entre outros assuntos em seu artigo entitulado Run Faster With Less Effort With These Four Adjustments.

Segundo sua investigação, a cadência (quantos passos por minuto você dá enquanto corre) varia de acordo com a sua velocidade de um modo simples: menor velocidade/menor cadência, maior velocidade/maior cadência.

  • 8km/h – 160 a 170ppm
  • Entre 8 e 11,2km/h – 165 a 175ppm
  • Entre 11,2 e 14,4km/h – 170 a 180ppm
  • Entre 16 e 24km/h – 190 a +210ppm, podem ser necessários

Obs.: segundo St. Pierre, esses valores não são absolutos e servem como uma mera referência.

Estudos demonstraram que existe um aumento da demanda de oxigênio quando um corredor utiliza uma cadência diferente da sua habitual, então se você passar a treinar em uma nova cadência seu organismo tende a se adaptar e essa mudança requer um período de tempo até que se torne tão eficiente quanto a anterior, relata St. Pierre.

Outros estudos revelam que o aumento da sua cadência entre 5 e 10% pode reduzir as cargas de impacto e desse modo o estresse nos tecidos e o risco de lesão.

Portanto seria possível afirmar que existe uma combinação ideal de velocidade – amplitude de passada – cadência para cada corredor e que essa combinação pode e deve ser alterada sempre que se busca o aprimoramento da performance sem aumentar o risco de lesões em função das cargas de impacto.

 

 

 

Minha primeira prova de trailrunning

Escolhi debutar no trailrunning participando dos 50km do XC Itaipava categoria solo.

Estudei muito sobre como é a elaboração de um programa de treinamento voltado para ultra distâncias e corridas de montanha, e, junto com a minha nutricionista, definimos um plano alimentar e a estratégia de hidratação e suplementação para o período preparatório e para a prova.

Testei várias opções durante as sessões de treino mais longos, onde procurava simular as características da corrida.

A prova aconteceu no dia 1º de julho, sábado, em Itaipava. Na véspera haveria entrega dos kits e congresso técnico.

Contei com o suporte logístico da família e de uma querida amiga, Sônia, que me hospedou em sua casa.

Sai do Rio de Janeiro em direção a Itaipava na sexta a tarde.

Ansioso, apanhei meu kit assim que cheguei. Retornei para o congresso à noite.

Dia da prova, acordei cedo, me arrumei, tomei o café de costume e cheguei uma hora e meia antes do início.

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Percurso da prova. Fonte: XC Run

Frio, cerca de 8 graus centígrados. Conforme os participantes iam chegando, pude reconhecer Chico Santos, Iazaldir Feitosa, Camila Feijó… Atletas de primeira linha.

Encontrei a Ana Paula Silveiras – que venceu no feminino categoria solo, e o Toninho Simeão – ultratrail runner experiente que me deu algumas dicas sobre o percurso minutos antes do início da prova.

 

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Bate-papo antes da prova. Fonte: arquivo pessoal

6:55 – Hino nacional foi tocado. 7:00 – a buzina soou e cruzei o pórtico de largada rumo a um mundo completamente novo.

Subidas e descidas em morros e pastos, atingindo uma altitude de até 1.250m com desnível de 1.250m e 700 metros de corrida dentro do rio.

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Competição cooperativa. Fonte: XC Run

Tudo ia bem até o km 26 onde tomei a minha primeira decisão equivocada em função da interferência emocional no processo:

Por estar muito bem e vislumbrar a possibilidade de pódio na minha faixa etária, antecipei uma eventual perda de rendimento e utilizei uma suplementação baseada em uma mistura de gel de carboidrato com cafeína.

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Um passo de cada vez. Fonte: XC Run

Após 2 km comecei a sentir os efeitos da cafeína que acelerou meu metabolismo, depletando minhas reservas energéticas mais a frente.

Havia planejado parar na Transição 2 (28km de prova percorrida) para descartar lixo, comer algo, reabastecer, tirar a areia do tênis e seguir em frente.

Quando cheguei, tomei a minha segunda decisão equivocada, mais uma vez distorcida pelo meu envolvimento emocional:

Segui em frente.

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Desgaste iminente. Fonte: Foco Radical

 

Comecei a perder rendimento junto com um mal estar gástrico que me levou a minha primeira parada no percurso. Onde eu estava, não havia qualquer meio para entrar em contato com a organização e teria que aguardar muitas horas até a chegada do resgate.

Vomitei. Descansei um pouco, continuei em frente e acabei por avistar um staff da organização, parei pela segunda vez. Nesse ponto também não havia chance de resgate imediato e único modo seria seguir em frente até o ponto de resgate e auxílio.

Vomitei uma vez mais. Tentei me refazer e ainda dominado pelas emoções, não lembrei que tinha a solução comigo, na minha própria mochila, só pensava em tentar sair dali.

Avistei o resgate questionando se eles poderiam ajudar me fornecendo um remédio para resolver meu enjôo, mas não tinham, eu teria que correr cerca de 6 a 8 km para chegar na Transição 3 onde encontraria uma ambulância e o staff médico.

Mais adiante no posto de reabastecimento de água, parei pela terceira vez, passando mal uma vez mais… Pela primeira vez, consegui tomar uma decisão coerente, encerrando a minha participação na prova.

Fui transportado até o T3 onde recebi a medicação, hidratação endovenosa e descansei.

Me retirei da prova triste, não porque havia desistido mas sim por conta da sequência de decisões equivocadas que foram tomadas em função da miopia decorrente do forte envolvimento emocional.

Aprendi que, por mais que tenhamos emocionalmente envolvidos com o projeto, devemos revisar nosso plano e procurar enxergar o todo, a distância, sopesar os prós e contras, rever as soluções para o problema previsto e agir.

Portanto, a paixão deve estar na dedicação, na vontade de transformar uma ideia em realidade e só.

Para todo o resto a ausência da emoção e a presença efetiva do raciocínio lógico e racional deve prevalecer, para só então, com o objetivo alcançado, permitir-se emocionar.

Bons treinos e divirta-se, mas sempre com a orientação de um professor de educação física especializado.

Até!

Um programa para cada um

Costumamos seguir o exemplo.

Não existe nenhum mal nisso, quando o tal exemplo é positivo e nos torna melhores indivíduos.

Infelizmente, quando se trata de exercício físico, tende-se a imitar o exemplo, sem se saber o porque.

Um dos princípios mais fundamentais do treinamento esportivo é o da individualidade biológica.

Ou seja, cada um é um e o programa de treino deve ser personalizado, adequado para a condição física, neuromuscular, mecânica, biológica, mental, emocional e social para esse um.

Mesmo que você tenha os mesmos objetivos, você é um outro um.

Então preste atenção: ao invés de ficar copiando os exercícios e programas de treinamento dos outros, procure orientação de um professor de educação física especializado na atividade que você pretende praticar e siga o plano.

Você irá reduzir drasticamente as possibilidades e riscos de lesão e ainda atingirá seus objetivos de modo mais eficiente e seguro.

Bons treinos e divirta-se. Até!

Dica de Corrida – 03

Muitas vezes vejo algumas fotos, leio ou ouço durante um bate-papo entre entusiastas da corrida, comentários sobre alguma novidade tecnológica que vai fazer com que a sua performance seja melhor.

Existe uma falsa impressão de que uma determinada peça de roupa, um determinado modelo de tênis, um smartwatch que monitora a FC, tem GPS e abre garrafa, fará com que você corra mais rápido.

Nem mesmo, vestir uma fantasia de super-herói fará isso.

Sinto muito, mas a única coisa que irá precisar para ser mais rápido e melhor você já tem… Seu próprio corpo.

E para torná-lo mais rápido vou te contar um segredo: treine!

Haile Gebrselassie, um dos maiores atletas da sua época, bicampeão olímpico e tetra campeão mundial dos 10.000m, além de estabelecer por duas vezes a melhor marca na Maratona de Berlim esteve, recentemente, no Brasil e concedeu uma entrevista para a revista Runner’s World Brasil e revelou que chegou a treinar 220km semanais com 02 sessões de treino por dia.

Bernardinho, treinador da seleção de vôlei brasileira e multicampeão, cita, nas suas palestras, que são necessárias 10.000 horas de treinamento para formar um atleta de alto-nível, programado e orientado por uma equipe multi-disciplinar que isso tem um custo bastante elevado.

Mas e com você? Para chegar próximo, basta obter a orientação de um professor de educação física especializado e solicitar um programa de treinamento que esteja em sintonia com a sua aptidão física atual e com os objetivos esportivos que almeja.

A partir daí é seguir o programa com disciplina e foco.

Até!

 

Faça a escolha certa

Existem tênis de corrida para todos os gostos, tipos de piso e de passada.

A escolha do seu tênis deve ser feita com uma análise criteriosa e os pontos a serem levados em conta estão bem distantes do que é preconizado pelos fabricantes em geral.

O American College of Sports Medicine publicou em 2014 um guia do tênis (em inglês) que evidencia alguns padrões e características, positivas e negativas, que ajudam você a escolher seu par ideal.

Segundo o ACSM, um bom tênis de corrida precisa:

  • Ser neutro, ou seja, sabe aquela história de tênis específicos para pisada pronada ou supinada, esqueça… Os componentes que controlam o pé interferem no seu movimento natural durante o suporte de carga;
  • Ter um perfil baixo (abaixo de 6mm com preferência para o drop zero), deixando a diferença da altura entre o calcanhar e o seu antepé igual ou mais próxima, o que acaba por permitir que 0 pé inteiro suporte seu peso corporal durante a fase terrestre do ciclo da passada;
  • Ser leve como uma pluma. Para um homem que calça 41 o peso ideal do seu tênis seria de 285g, enquanto para um modelo feminino tamanho 39 deveria ser 230g;
  • Ter a frente com espaço para os dedos e o antepé que permita que se movimentem livremente e com uma folga de aproximadamente 1,25cm entre seu dedo mais longo e ‘bico’ do tênis.

Mas o que tornaria um tênis ruim? Supreenda-se:

  • Muito amortecimento na sola pode levar a adoção de um padrão de passada que leve a uma aterrisagem com muito menos ação das estruturas do seu corpo na absorção do impacto;
  • Excesso de controle e estabilidade não deixam o pé realizar os movimentos livremente e;
  • Uso de palmilhas e/ou um suporte extra para o arco plantar.

Se você leu a postagem até aqui, deve estar se questionando:

“- Putz, e agora?! Vou ter que trocar meu tênis!”

Calma, pera aí!

A troca repentina pode aumentar o risco de lesão e aderir a proposta do ACSM requer paciência, persistência e uma transição suave.

O melhor a fazer é liberar o seu pé, andar descalço e realizar exercícios que o torne mais flexível e forte, e só depois comece a utilizar um modelo segundo as recomendações do ACSM em sessões breves ou em treinos técnicos (educativos) sempre com a orientação de um professor de educação física que entenda do assunto.

Agora que você já sabe como escolher seu tênis de corrida, sugiro visitar o site especializado Run Repeat.

No mais, bons treinos e divirta-se!

Até.

*ATENÇÃO: não existe um “tênis correto” que sirva para todos e que evite lesões.

**Eu utilizo modelos minimalistas com pouco ou nenhum amortecimento durante meus treinos. Pelo menos uma vez a cada quinze dias, corro descalço para ajustar a minha pisada e melhorar a minha postura.

 

Dicas de corrida – 01

Nunca antes houve uma popularidade tão grande quanto agora.

Correr está em pauta e os organizadores de provas aproveitam lançando circuitos que contém provas nas mais diversas distâncias e formatos, atendendo iniciantes, corredores amadores e de ponta.

Mas, ao mesmo tempo que estimula a prática de exercício pela população em geral, um grande problema começa a surgir: as pessoas estão se exercitando sem a devida orientação profissional e pior, seguem dicas de praticantes, leigos e outros profissionais que não são formados em Educação Física.

Desse modo, resolvi abordar o tema, dando dicas que desmitificam alguns conceitos tidos como padrão e auxiliam os corredores a aprimorar sua técnica e atingir uma melhor performance.

Então vamos lá, correr é muito fácil, você nem precisa de tênis para correr… De nada adianta fazer parte de um grupo bacana e adquirir sua camisa, se inscrever em todas as corridas possíveis e sair correndo todos os dias. Você está colocando sua saúde em risco e se sujeitando a lesões.

Ok, qual é a primeira dica?

DICA 01 – Procure a orientação de um profissional de Educação Física especializado em treinamento esportivo e/ou em corrida, devidamente registrado no sistema CONFEF/CREFs.

É ele quem poderá auxiliá-lo a dar os primeiros passos no mundo da corrida ou a seguir treinando, sempre respeitando o principal princípio do treinamento esportivo: o da individualidade biológica, que numa maneira simples quer dizer que o programa de treinos deve estar adequado ao indivíduo e ao seu condicionamento físico, otimizado e personalizado.

Por enquanto ficamos por aqui… no mais, bons treinos e divirta-se, mas, como já disse, sempre com a orientaçnao de um profissional de educação física.

Até.

A maratona

Reza a lenda que, no ano de 490 AC, quando os soldados atenienses partiram para a planície de Marathónas para combater os persas na Primeira Guerra Médica, suas mulheres ficaram ansiosas pelo resultado porque os inimigos haviam jurado que, depois da batalha, marchariam sobre Atenas, violariam suas mulheres e sacrificariam seus filhos.

Ao saberem dessa ameaça, os gregos deram ordem a suas esposas para, se não recebessem a notícia da sua vitória em 24 horas, matarem seus filhos e, em seguida, suicidarem-se.

Os gregos ganharam a batalha, mas a luta levou mais tempo do que haviam pensado, de modo que temeram que elas executassem o plano. Para evitar isso, o general grego Milcíades ordenou a seu melhor corredor, o soldado e atleta Feidípedes, que corresse até Atenas, situada a cerca de 40 km dali, para levar a notícia. Feidípedes correu essa distância tão rapidamente quanto pode e, ao chegar, conseguiu dizer apenas “vencemos”, e caiu morto pelo esforço.

No entanto, Heródoto conta – no que é considerada por historiadores modernos como apenas uma versão romanceada – que, na realidade, Feidípedes foi enviado antes da batalha a Esparta e outras cidades gregas para pedir ajuda, e que tivera de correr duzentos e quarenta quilômetros em dois dias, voltando à batalha com os reforços necessários para vencer os persas. Só depois disso, teria corrido até Atenas para anunciar a vitória e então morrer pelo esforço.

Quando os Jogos Olímpicos da Era Moderna tiveram início em 1896, seus criadores e organizadores procuravam por algum grande evento popular que relembrasse a antiga glória da Grécia.

A idéia de organizar uma maratona veio de Michel Bréal, um amigo do barão Pierre de Coubertin, que queria que tal prova fizesse parte do evento inaugural, no que foi apoiado por Coubertin e pelos gregos.

As primeiras maratonas disputadas não tinham uma distância exata fixa, mas nos primeiros Jogos Olímpicos ela tinha cerca de 40 km de distância, aproximadamente a distância entre Maratona e Atenas pela rota mais plana. Em outros lugares, ela diferia para mais ou menos dependendo da rota traçada na região.

Em 1907, os organizadores do Comitê Olímpico Internacional decidiram que nos Jogos seguintes, Londres 1908, ela deveria ter a extensão de 25 milhas ou 40 km.

Chegada da Maratona de Londres 1908. Fonte: https://corriamotutti2010blog.wordpress.com

Com a largada marcada para ser em frente ao Castelo de Windsor e a linha de chegada em frente ao camarote real no Estádio Olímpico de White City, depois de uma volta inteira na pista de atletismo, o percurso inteiro mediu exatos 42,195 km.

Disputada pela primeira vez nesta distância em Londres, acabou sendo assim oficializada em maio de 1921, pela Federação Internacional de Atletismo.

A maratona do Rio

A maratona do Rio terá a sua largada as 7:30h na Praça do Pontal do Tim Maia, situada no Recreio e sua chegada no Aterro do Flamengo. Seu maior problema é o horário de chegada para os atletas amadores e corredores que possuem um pace acima dos 4:30/km. Mesmo acontecendo no inverno, um dia de tempo aberto e Sol a pino, a temperatura fica elevada e o asfalto do Aterro do Flamengo, torna a chegada ainda mais dura.

A primeira metade inteira da prova num percurso plano.

Somente por volta do km 22 você encara a primeira subida que, segundo o relatório de medição da CBAt, é “sensível e passa um pouco dos 7 metros”, sendo bem tranquila.

Porém, a subida da Niemeyer, que inicia por volta do km 26 e dura até o km 28, possui cerca de 20 metros de variação (em torno de 10% de inclinação média) e apesar de não ser tão grande, você já correu mais do que uma meia até aqui.

Após o quilômetro 28 é descenso até o 30 e plano até o fim.

Além de um bom programa de treinamento, é necessário preparar um plano de hidratação e de reposição de eletrolítica e de carbo-hidratos.

Evite as mochilas de hidratação e não carregue peso extra à toa, uma vez que a organização fornece pontos de hidratação com água e isotônico durante a prova. Utilize filtro solar, roupas leves e proteja os pontos do seu corpo de maior atrito com os tecidos da sua roupa e com o tênis. Sugiro utilizar hipoglós ou similares.

Defina uma tática de corrida, sabendo quando atacar e quando poupar energia.

Uma delas é dividir a prova em quatro partes:

Os primeiros 10k – a largada deve ser sem afobação, deixe os apressados passarem por você e siga em um ritmo 20% acima do seu pace habitual, aqueça na prova e gradativamente, a cada quilometro, vá aumentando a velocidade até atingir 10% acima do seu pace de prova.

Os segundos 10k – hora de segurar a onda e se manter constante, entenda que o tempo da meia-maratona servirá de parâmetro para o seu tempo final na prova. Segundo artigo da Running Competitor, existe um acréscimo médio de 10 a 12 minutos no tempo da primeira metade da maratona em relação a segunda metade.

Média de tempo na Maratona de Boston – Homens. Fonte: http://cdn.running.competitor.com

Média de tempo na Maratona de Boston – Mulheres. Fonte: http://cdn.running.competitor.com

Os 30k – o mito do muro. Sim ele existe e pode acabar com qualquer um, tanto atletas de alto-rendimento quanto aspirantes a primeira maratona. Tudo é uma questão de momento, do plano de hidratação e de reposição de eletréolitos e da tática de corrida adotada.

O emocional entre em cena, o corpo já dá sinais de cansaço e atenção deve estar em manter a amplitude da passada, alternando entre mais curtas, freqüentes e confortáveis, com mais longas, procurando manter um pace com cerca de até 30 segundos a mais do que seu ritmo nos primeiros 21k.

A linha de chegada – Perto do fim, não é o momento de empolgação, mantenha-se firme, sustentando seu ritmo de prova. Chegar agora é uma questão de equilíbrio emocional com a capacidade de lidar com o estresse da distância já percorrida.

Chegada da maratona do Rio. Fonte: http://www.correfacil.com.br

Pronto! Você chegou lá, parabéns! No final, o que importa é se divertir, sempre!

Canelite

A Síndrome do Estresse Tibial Medial – SETM, vulgarmente conhecida como ‘canelite’, é uma lesão típica por overuse, que acomete cerca de 14% dos corredores.

Consiste de uma inflamação da tíbia, dos tendões e/ou músculos que se encontram adjacentes a esse osso, podendo evoluir para uma fratura por estresse.

Existem evidências que seu surgimento é em virtude de um suposto atrito ou sobrecarga na borda posteromedial da tíbia que gera uma periostite – inflamação da membrana inervada e vascularizada que recobre o osso, desencadeando a inflamação.

A ‘canelite’ é uma lesão difícil de tratar mesmo, o ideal seria investigar quais fatores favorecem o surgimento da lesão.

Na corrida, essa lesão é associada ao impacto repetitivo, que causa microtraumas nessa região da perna. Alguns outros fatores são considerados promotores para o seu desenvolvimento:

  • Pronação exacerbada dos pés
  • Arco plantar muito rígido ou muito flexível
  • Corrida em pisos muito rígidos
  • Uso de calçados inadequados
  • Passadas muito longas
  • Treinamento sem orientação

As manifestações clínicas envolvem dor e inchaço no terço inferior da perna, sendo que a primeira aumenta no início do exercício físico, havendo, após o aquecimento, considerável redução e, após findado o mesmo, esta exacerba-se.

Para prevenir seu surgimento, cuidados devem ser tomados tanto em relação ao aumento do volume e intensidade dos treinos, quanto ao fortalecimento e alongamento da musculatura da perna e da musculatura intrínseca e extrínseca do pé, principalmente o solear, que juntamente com as duas cabeças do, forma o tríceps sural, que sustenta o corpo e movimenta o pé, realizando a flexão plantar.

Quanto a escolha do tênis e calçados esportivos, dê preferência aqueles menos estruturados e mais flexíveis que permitam uma maior liberdade e movimentação dos pés.

Exercícios sugeridos:

  • Descalço, permaneça na posição agachada apoiando-se em toda a planta dos pés por 20 a 30 segundos.
  • Pular corda ou realizar pequenos saltos no lugar, tocando o solo com o terço anterior dos pésdurante 30 segundos a 01 minuto.
  • Trote leve descalço em superfície macia entre 05 e 15 minutos, tocando o solo com o terço anterior dos pés.

Querendo saber mais a respeito, entre em contato.

Bons treinos e divirta-se!

Treinando com temperaturas elevadas

A escolha do período do dia no qual você irá realizar seu treino é fundamental para sua performance. Existem indivíduos que se sentem mais à vontade exercitando-se pela manhã, outros à noite.

Com as altas temperaturas, o melhor é fugir dos períodos mais quentes e que hajam maior incidência de raios UV.

Nos climas mais secos, opte por realizar seus treinos próximo a faixa litorânea ou em uma área muito arborizada. Esses espaços acabam por manter o ar mais úmido e a temperatura mais amena, favorecendo o seu rendimento durante os treinos.

Nem sempre nossos horários disponíveis para prática de atividade física são compatíveis com os períodos mais favoráveis, nesse caso, opte por um treino indoor.

Em todo caso, hidrate-se antes, durante e após a atividade.

Bons treinos e divirta-se!