Categoria: impacto da passada

Velocidade X Cadência

Para que sua performance na corrida evolua devemos levar em conta dois fatores primários: a melhora da sua condição física e o aprimoramento da sua técnica e da sua postura enquanto corre.

Deixando de lado os métodos e estratégias para melhora da condição física, focaremos na técnica e na postura de corrida.

Muito se fala que existe um padrão postural e da técnica ideal para correr, mas não é bem assim.

A coisa pode variar um pouco, dependendo do quão longa será a sua corrida, em que terreno ela irá acontecer e se você estará carregando algum sobre-peso.

 

Recentemente, o treinador do CTS Adam St. Pierre adicionou uma pitada a mais sobre o assunto, discutindo sobre o binômio velocidade x cadência entre outros assuntos em seu artigo entitulado Run Faster With Less Effort With These Four Adjustments.

Segundo sua investigação, a cadência (quantos passos por minuto você dá enquanto corre) varia de acordo com a sua velocidade de um modo simples: menor velocidade/menor cadência, maior velocidade/maior cadência.

  • 8km/h – 160 a 170ppm
  • Entre 8 e 11,2km/h – 165 a 175ppm
  • Entre 11,2 e 14,4km/h – 170 a 180ppm
  • Entre 16 e 24km/h – 190 a +210ppm, podem ser necessários

Obs.: segundo St. Pierre, esses valores não são absolutos e servem como uma mera referência.

Estudos demonstraram que existe um aumento da demanda de oxigênio quando um corredor utiliza uma cadência diferente da sua habitual, então se você passar a treinar em uma nova cadência seu organismo tende a se adaptar e essa mudança requer um período de tempo até que se torne tão eficiente quanto a anterior, relata St. Pierre.

Outros estudos revelam que o aumento da sua cadência entre 5 e 10% pode reduzir as cargas de impacto e desse modo o estresse nos tecidos e o risco de lesão.

Portanto seria possível afirmar que existe uma combinação ideal de velocidade – amplitude de passada – cadência para cada corredor e que essa combinação pode e deve ser alterada sempre que se busca o aprimoramento da performance sem aumentar o risco de lesões em função das cargas de impacto.

 

 

 

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Faça a escolha certa

Existem tênis de corrida para todos os gostos, tipos de piso e de passada.

A escolha do seu tênis deve ser feita com uma análise criteriosa e os pontos a serem levados em conta estão bem distantes do que é preconizado pelos fabricantes em geral.

O American College of Sports Medicine publicou em 2014 um guia do tênis (em inglês) que evidencia alguns padrões e características, positivas e negativas, que ajudam você a escolher seu par ideal.

Segundo o ACSM, um bom tênis de corrida precisa:

  • Ser neutro, ou seja, sabe aquela história de tênis específicos para pisada pronada ou supinada, esqueça… Os componentes que controlam o pé interferem no seu movimento natural durante o suporte de carga;
  • Ter um perfil baixo (abaixo de 6mm com preferência para o drop zero), deixando a diferença da altura entre o calcanhar e o seu antepé igual ou mais próxima, o que acaba por permitir que 0 pé inteiro suporte seu peso corporal durante a fase terrestre do ciclo da passada;
  • Ser leve como uma pluma. Para um homem que calça 41 o peso ideal do seu tênis seria de 285g, enquanto para um modelo feminino tamanho 39 deveria ser 230g;
  • Ter a frente com espaço para os dedos e o antepé que permita que se movimentem livremente e com uma folga de aproximadamente 1,25cm entre seu dedo mais longo e ‘bico’ do tênis.

Mas o que tornaria um tênis ruim? Supreenda-se:

  • Muito amortecimento na sola pode levar a adoção de um padrão de passada que leve a uma aterrisagem com muito menos ação das estruturas do seu corpo na absorção do impacto;
  • Excesso de controle e estabilidade não deixam o pé realizar os movimentos livremente e;
  • Uso de palmilhas e/ou um suporte extra para o arco plantar.

Se você leu a postagem até aqui, deve estar se questionando:

“- Putz, e agora?! Vou ter que trocar meu tênis!”

Calma, pera aí!

A troca repentina pode aumentar o risco de lesão e aderir a proposta do ACSM requer paciência, persistência e uma transição suave.

O melhor a fazer é liberar o seu pé, andar descalço e realizar exercícios que o torne mais flexível e forte, e só depois comece a utilizar um modelo segundo as recomendações do ACSM em sessões breves ou em treinos técnicos (educativos) sempre com a orientação de um professor de educação física que entenda do assunto.

Agora que você já sabe como escolher seu tênis de corrida, sugiro visitar o site especializado Run Repeat.

No mais, bons treinos e divirta-se!

Até.

*ATENÇÃO: não existe um “tênis correto” que sirva para todos e que evite lesões.

**Eu utilizo modelos minimalistas com pouco ou nenhum amortecimento durante meus treinos. Pelo menos uma vez a cada quinze dias, corro descalço para ajustar a minha pisada e melhorar a minha postura.

 

Canelite

A Síndrome do Estresse Tibial Medial – SETM, vulgarmente conhecida como ‘canelite’, é uma lesão típica por overuse, que acomete cerca de 14% dos corredores.

Consiste de uma inflamação da tíbia, dos tendões e/ou músculos que se encontram adjacentes a esse osso, podendo evoluir para uma fratura por estresse.

Existem evidências que seu surgimento é em virtude de um suposto atrito ou sobrecarga na borda posteromedial da tíbia que gera uma periostite – inflamação da membrana inervada e vascularizada que recobre o osso, desencadeando a inflamação.

A ‘canelite’ é uma lesão difícil de tratar mesmo, o ideal seria investigar quais fatores favorecem o surgimento da lesão.

Na corrida, essa lesão é associada ao impacto repetitivo, que causa microtraumas nessa região da perna. Alguns outros fatores são considerados promotores para o seu desenvolvimento:

  • Pronação exacerbada dos pés
  • Arco plantar muito rígido ou muito flexível
  • Corrida em pisos muito rígidos
  • Uso de calçados inadequados
  • Passadas muito longas
  • Treinamento sem orientação

As manifestações clínicas envolvem dor e inchaço no terço inferior da perna, sendo que a primeira aumenta no início do exercício físico, havendo, após o aquecimento, considerável redução e, após findado o mesmo, esta exacerba-se.

Para prevenir seu surgimento, cuidados devem ser tomados tanto em relação ao aumento do volume e intensidade dos treinos, quanto ao fortalecimento e alongamento da musculatura da perna e da musculatura intrínseca e extrínseca do pé, principalmente o solear, que juntamente com as duas cabeças do, forma o tríceps sural, que sustenta o corpo e movimenta o pé, realizando a flexão plantar.

Quanto a escolha do tênis e calçados esportivos, dê preferência aqueles menos estruturados e mais flexíveis que permitam uma maior liberdade e movimentação dos pés.

Exercícios sugeridos:

  • Descalço, permaneça na posição agachada apoiando-se em toda a planta dos pés por 20 a 30 segundos.
  • Pular corda ou realizar pequenos saltos no lugar, tocando o solo com o terço anterior dos pésdurante 30 segundos a 01 minuto.
  • Trote leve descalço em superfície macia entre 05 e 15 minutos, tocando o solo com o terço anterior dos pés.

Querendo saber mais a respeito, entre em contato.

Bons treinos e divirta-se!

Internalização do gesto técnico

Um tema que sempre me fascinou enquanto estava na universidade era a biomecânica do movimento humano, ou seja, a física aplicada ao movimento. Alavancas, pontos de apoio e de aplicação da força. Mudanças sutis que contribuem para melhora da eficiência do gesto motor.

Enquanto corredor, sempre me interessei em como tornar a corrida mais eficiente e por um bom tempo, acreditei que tênis melhores teriam uma participação significativa nisso.

Algumas lesões crônicas, me fizeram repensar o conceito e quando tive acesso a forma minimalista de correr, entendi que o equívoco estava não só no tênis que usava, mas também na minha técnica.

Decidi mudar, adquiri um novo par com um drop mais baixo, menos controle e estabilidade. Reduzi a distância, aumentei o pace e passei a relizar uma corrida mais consciente, adotando uma postura mais verticalizada e relaxada, usando o terço anterior do pé como ponto de contato durante a aterrisagem.

Durante 06 sessões de treino, corri apenas 6km procurando manter um pace de 5:15 sempre mantendo um estado de consciência técnica. Na quarta corrida de 6km, consegui obter meu melhor tempo total e na quinta o melhor pace em 1km, baixando dos 5 minutos.

A experiência já é conhecida, uma vez internalizado ou assimilado, o gesto passa a ser automatizado, acontece ‘sem pensar’… Ainda estou longe disso, mais para que servem os treinos, se não, tornar-nos melhores.

Convido você a fazer o mesmo, a se exercitar de forma consciente.

Bons treinos e divirta-se!

Treino de corrida: o som da sua passada…

No primeiro dia de 2013, Matt Fitzgerald, jornalista da Triathlete Europe, publicou um artigo citando a pesquisa desenvolvida pela diretora do Spaulding National Running Center, Irene Davis, uma das pioneiras no estudo sobre aspectos biomecânicos da corrida.

Seu trabalho consiste em estimular mudanças específicas na mecânica da corrida que corrijam características associadas a elevados riscos de lesão.

Durante o estudo, utilizou acelerômetros em cada uma das pernas de dez corredores para medir a aceleração tibial enquanto corriam na esteira.

A informação coletada pelos acelerômetros era transmitida para uma tela posicionada em frente aos corredores, permitindo que vissem um gráfico simples sobre o impacto de cada passada e baseados nos dados do gráfico, eram estimulados a buscar, livremente, um modo mais confortável possível para reduzir o impacto de cada passo.

O que todos os dez corredores conseguiram, cada um a seu modo.

A partir daí foram orientados a tentar manter essa nova forma de correr durante seus treinos regulares e após um mês retornaram para nova avaliação.

Resultado: todos reduziram dramaticamente o impacto durante suas passadas.

Davis acredita numa solução encontre você mesmo ao invés de sugerir, ela mesmo, as mudanças a serem feitas na biomecânica da corrida de cada um dos avaliados.

Como isso seria possível sem os recursos de um laboratório de biomecânica? Simples, ouça o som das suas passadas e tente correr o mais silenciosamente possível de forma confortável.

Quer ler o artigo da revista na íntegra? Leia a versão do artigo em inglês aqui.

Bons treinos e divirta-se!